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Teste da orelhinha
Teste da Orelhinha: Por que tanto cuidado com a audição?
  Tania Tochetto *

As conquistas de nossos filhos sempre são motivo de alegria e uma das mais significativas é o início da comunicação oral. Qual é a mãe ou o pai que não se orgulha quando diz:  "Meu filho já fala!"?

É importante saber que as primeiras palavras da criança são precedidas por pelo menos 12 meses de experiências com sons. Qualquer redução na capacidade auditiva impede que a criança receba adequadamente as informações sonoras que são básicas para a aquisição da linguagem. 

O bebê que não ouve, não consegue contar isto a seus pais. Como ajudar o bebê? 

O primeiro passo é fazer o Teste da Orelhinha ou Triagem Auditiva Neonatal, recomendado atualmente para todos os recém-nascidos, mesmo para aqueles que não têm casos de surdez na família ou que não tiveram intercorrências na gestação e parto.

O Teste da Orelhinha pode ser feito por meio de Emissões Otoacústicas ou Potenciais Auditivos Evocados do Tronco Encefálico e pesquisa do reflexo cócleo-palpebral, procedimentos que não têm contra-indicação e não causam  desconforto.  Cuidado com testes de audição caseiros ou feitos por pessoas não habilitadas. Eles  podem facilmente induzir a resultados falsos. Erros na interpretação de respostas auditivas   retardam o diagnóstico da surdez, impedindo que a criança se beneficie  da intervenção fonoaudiológica precoce e causando atraso inaceitável no desenvolvimento da linguagem.

Se o bebê não apresenta as respostas esperadas no Teste da Orelhinha, outros exames devem ser feitos e concluídos até os 3 meses de idade.

Confirmada a existência de perda auditiva, a intervenção fonoaudiológica deve iniciar imediatamente. Pesquisas recentes provam que a intervenção fonoaudiológica precoce, isto é, antes dos 6 meses de idade,  proporciona à criança deficiente auditiva desenvolvimento de linguagem muito próximo ao da criança ouvinte. A intervenção tardia (após os 6 meses de idade) acarreta prejuízos irreversíveis  ao desenvolvimento da criança. Além do atraso ou impossibilidade de falar, também as áreas emocional, social e cognitiva são afetadas.

Só o Teste da Orelhinha pode garantir que seu filho  ouve sua voz, que ele não está só,  no silêncio, que os sons fazem parte de sua vida possibilitando contatos e conhecimento do ambiente.

* Fonoaudióloga Especialista em Audiologia, Doutora em Ciências dos Distúrbios da Comunicação Humana, Professora da Universidade Federal de Santa Maria (RS).


O que é o teste da orelhinha?

Teste da Orelhinha, ou Exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (código 51.01.039-9 AMB), é o método mais moderno para o diagnóstico de problemas de surdez nos recém-nascidos.
O exame é feito no próprio berçário, com o bebê quieto e dormindo, de preferência com 48 horas de vida, antes da alta da Maternidade.
Porque realizar o teste?
Porque você aprende a falar ouvindo! Quando o bebê olha o rosto de sua mãe e escuta a voz, ele aprende sobre o mundo que o rodeia e aprende a se comunicar. Os bebês que nascem com problemas de audição, de um ou dois ouvidos, necessitam receber ajuda especializada até os seis meses de idade, entretanto a maioria só é diagnosticada muito tarde em torno de 3 a 4 anos de idade.

Como é feito?

A triagem auditiva é feita inicialmente através do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas. O exame é feito no próprio berçário em sono natural, de preferência no 2º ou 3º dia de vida. A duração é de aproximadamente 5 a 10 minutos, não apresenta contra-indicação, não incomoda e não acorda o bebê. Não exige nenhum tipo de intervenção invasiva, é absolutamente inócuo.

Quem deve fazer?

Todos os bebês, porque a incidência da surdez congênita é bastante alta quando comparada com outras doenças para as quais são realizados testes de Triagem Neonatal, a Fenilcetonúrica (teste do pezinho) 1 em 10.000, Hipotireoidismo 2,5 em 10.000, Anemia Falciforme 2 em 10.000. Em bebês normais a surdez varia de 1 a 3 em cada 1.000, já em bebês de UTI Neonatal, varia de 2 a 6 em cada 1.000 recém-nascidos. A avalização Auditiva Neonatal limitada aos bebês de risco (ex:história de surdez familiar, rubéola, etc...) é capaz de identificar apenas 50% dos bebês com perda auditiva congênita. (NCHAM/97; AAP/99).

Texto reproduzido com autorização da Casa de Saúde São José
www.cssj.com.br

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