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Já há décadas, audiologistas vêm atuando e tendo
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objetos de estudo o diagnóstico e a intervenção precoces de crianças portadoras de deficiência auditiva.
Como
profissionais desta área, mais e mais nos convencemos da eficácia de nossas práticas quando atingimos satisfatoriamente o principal objetivo de nosso trabalho: ajudar os membros das famílias a se tornarem os principais estimuladores da equipe de reabilitação.
Nas décadas de 70 e 80, os países desenvolvidos, que tinham experiência acumulada em estimulação auditiva, de linguagem e fala envolvendo os modelos intervencionistas, já mostravam ser impossível atender uma criança, sem que o trabalho fosse realizado através dos pais.
No Colorado, EUA, nesta mesma época e, posteriormente, em 1994, após o início dos programas da TANU, ficou evidente que o centro considerado ideal das propostas terapêuticas é o lar, por ser o mundo referencial de bebês na relação com suas mães, e por proporcionar a exploração de fontes sonoras e/ou sons que se repetem na rotina de cada família.
Além disto, a razão fundamental para a atenção dos profissionais estar voltada às famílias baseia-se no próprio desenvolvimento de um bebê desde o seu nascimento, já que este ocorre no núcleo familiar e na estreita relação entre mãe e bebê, em um universo íntimo e restrito buscando a construção de mundo interno, tanto psíquica
como
fisicamente.
A medida que os dias, semanas e meses vão passando, um bebê recém-nascido amplia gradativamente sua experiência de mundo que vai da proximidade de seu corpo, voz e contato físico ao corpo, sons e contato físico provenientes da mãe.
Tal ampliação pode ocorrer desde entre o espaço físico de um quarto no lar até outras partes da casa. Ocorre ainda de um espaço psíquico mãe para outro, o pai e muito lentamente para os irmãos e avós.
Portanto, ousados somos quando chamamos estas crianças de nosso pacientes. No período peri e pós-diagnóstico, nossos reais pacientes são os pais.
Geralmente, após a confirmação do diagnóstico, os pais julgam não saber lidar com seus filhos, portadores de uma lesão invisível e irreversível, porém importante, a deficiência auditiva. Entretanto, são eles e, em especial a mãe nos primeiros meses e, depois o casal, quem conhece, descreve, avalia e entende as necessidades do bebê, atendendo-o e satisfazendo-o.
Estes pais querem e precisam ver reações do bebê aos sons. Estas reações são a vitamina para continuidade de uma atitude constante e natural de mãe e pai estimuladores.
Desta forma, independente do grau de perda auditiva que uma criança carregue consigo, pela situação natural de proximidade física entre bebê e mãe (no colo, nas situações de alimentação, troca de fralda, banho e aconchego), a voz materna, poderosa, vem próxima ao ouvido da criancinha.
Assim, quando mostramos aos pais as expressões faciais e movimentação corporal do bebê ao ouvir esta voz, eles passam a acreditar que, mesmo na presença da deficiência auditiva, o bebê reage e tem muitas possibilidades de participar e conhecer o mundo sonoro.
As brincadeiras entre mãe e filho(a), que auxiliam na aquisição e desenvolvimento da linguagem e desenvolve a função auditiva, devem ser ricas e espontâneas nesta relação.
Nós, profissionais que instrumentamos a família, cuidamos com requinte de uma audição residual amplificada, aumentando as possibilidades da criança em perceber, identificar, reconhecer e compreender o mundo sonoro.
Neste contexto, apenas quando o crescimento proporciona o afastamento físico natural entre mãe e filho, é possível que o profissional afirme ter a criança
como
seu paciente. A partir de então, há a formação de vínculos, avaliação e propostas de situações terapêuticas pertinentes a cada etapa da linguagem receptiva e expressiva em que a criança se encontra.
Ainda assim o lar continua sendo o mundo familiar conhecido pela criança de onde partem as relações sonoras e sociais, a uma ampliação na micro-sociedade que rodeia uma criança.
Nosso papel, que não se restringe a uma sessão de atendimento, também deve propiciar encontros e trocas de idéias com vários casais que conhecem na intimidade e vivenciam o papel de pais de crianças com barreiras de comunicação.
O envolvimento dos pais no processo de habilitação é crucial para um desenvolvimento bem sucedido de uma criança deficiente auditiva e sua inserção satisfatória na sociedade.
Os pais, que se deparam com o desconhecido, após a confirmação de uma lesão auditiva, merecem todas as explicações por parte dos profissionais responsáveis pelas avaliações audiológicas, próteses auditivas e métodos de reabilitação.
O poder de decidir por um caminho é dos pais, assim
como
deles são seus filhos.
E cabe lembrar que o impacto de um diagnóstico na família, muda para sempre sentimentos, a rotina, os hábitos e o tempo despendido com uma criança em particular.
Com certeza, segundo os próprios pais, com as crianças muito se aprende.
A sensibilidade dos profissionais deve ser constante, em todo o processo, para assim envolver os pais, e respeitar a cultura, linguagem e valores de cada família, no conteúdo de uma proposta terapêutica.
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